

Versão normal, em CD!
Mais tarde ou mais cedo este nome iria aparecer... Burzum! Quem não conhece? Pensei em colocar tudo que tenho da banda de uma só vez, mas decidi que contaria como álbuns normais. Burzum é o projecto mais conhecido em todo o Black Metal, e apesar de toda a história na vida do Varg ajudar à publicidade, é a música que realmente conta.
Este é o meu projecto musical favorito, desde que ouvi esta espécie de compilação, reunindo o álbum de 1992 ''Burzum'', e o EP ''Aske'' do ano seguinte.
Ouvi isto pela primeira vez já o novo milénio tinha caído sobre nós... Foi o som que me deu o gostinho por este estilo de música. Não só o som, mas também todo o ambiente que ao longo dos anos se foi revelando muito 'próprio' do artista. Cada lançamento tem o seu valor, e deixarei cada um desses valores nos respectivos álbuns.
No caso de ''Burzum / Aske'', a sonoridade lembra-me sempre uma caminhada tenebrosa, ainda nos tempos mais escuros e abstractos do Varg, menos filosóficos que os actuais. Apesar de não ser o Melhor deste projecto, é sempre o que mais nostalgia me dá, por ter sido o primeiro... E o primeiro é sempre o mais memorável quando repetido diversas vezes, em diversas ocasiões.
Gritos frustrantes que ofuscam o ar, de raiva e dor em locais remotos e afastados. Assim é a sonoridade, intensa e forte... Mas com letras envolvidas num nevoeiro mítico de tempos distantes. Distantes e escuros.
Em todos os sessenta minutos do álbum, está presente uma incrível prestação de guitarra... Simplesmente incrível. Desde o tema ''Ea, Lord of the Depths'', que tantas vezes foi tornado em Covers de muitas outras bandas, desde ao pequeno e simples tom de ''Dominus Sathanas''.
Não sei se pelas inúmeras rodagens que já dei a este álbum, ou porque realmente é bom... Mas não há uma única faixa que não seja magnifica. Se tivesse que realçar uma em particular, talvez seria a ''My Journey to the Stars''. Um tema que por vezes me dá gosto ouvir, independentemente de todo o álbum.
Não creio que Burzum tenha definido o 'Black Metal', mas sem dúvida deu uma nova inspiração a uma enchente de bandas. Com uma tonalidade envolvida em ambiente, repleto de uma atmosfera extremamente única, que só se encontra em Burzum.
Burzum (Noruega) - Burzum - Aske [1995]
Darkspace (Suíça) - Dark Space II [2006]




Versão normal, em CD!
Não podia adiar este segundo lançamento de Darkspace... Não para outro dia, semana ou mês. Teria que ser na mesma junção do primeiro disco, porque os acho extremamente parecidos. Acho-os envolventes de certa forma até ligados, o que não acontece com o terceiro trabalho, do qual falarei num futuro próximo.
Mais uma vez, tenho a versão re-lançada pela ''Avantgarde Music'', também em 2006, mas numa edição não limitada. Ou pelo menos não tão limitada.
Com um aspecto muito semelhante, num negro imersivo, desde o disco à capa, com um visual também idêntico, embora com uma mensagem diferente, sempre sombria.
O que parecia faltar no primeiro lançamento, é agora reposto, mas a dobrar. Reforçaram a bateria que está ainda mais alinhada com as guitarras, prova disso é a primeira faixa que se torna agressiva como nenhuma o foi até então. O sistema melódico passa a ser realizado pelo entoar das guitarras, e não podia ter saído melhor... Fazendo da primeira faixa uma melodia com pouco mais de vinte minutos. As teclas passam a ser uma ordem principal e secundária. Principal na segunda faixa, onde toda ela é instrumental, com cerca de dez minutos de ambiente sonoro, escuro e pouco visível. Aqui, em todo este perímetro ambiental as teclas alastram-se de forma suave e atmosférica, sem melodias, apenas numa longa corrente... E secundária porque não afecta a música de forma tão sinfónica ou melódica como no lançamento anterior. Já a terceira faixa, envolve umas guitarras ainda mais presentes, com uma bateria mais longitudinal... Fixando-se assim, e por fim, num longo final baseado ao vento da não existência. Mas é na primeira faixa, que Darkspace realmente percorre o grande momento neste trabalho. Não sei se é uma continuidade, ou se apenas depende de quem a ouvir, mas acredito que seja uma relação pessoal... Sempre que oiço o primeiro disco, sinto necessidade de recorrer ao segundo, para terminar esta orquestra sórdida e vazia. Ao ouvir o segundo, penso que o primeiro lançamento ganhe um passado, uma nova perspectiva... Mas não se justificava ter começado pelo segundo, ou seja, este.
''Dark Space II'' tem apenas três faixas, em quase cinquenta e cinco minutos de excelente actos. Com este final, posso pessoalmente concluir este acto, que começou exactamente na primeira faixa do primeiro disco da banda. Na terceira instalação do projecto, não achei que o mesmo ocorre-se, e daí não colocarei o post sobre ele tão cedo.
Ambos lançados em 2006, fazem destes dois discos essenciais para alguém que tem sempre mais curiosidade sobre o género, mas que não faz dele uma inovação, pois isto não inova nem muda, apenas envolve e transporta.
Darkspace (Suíça) - Dark Space I [2006]




Versão normal, em CD!
Se há projecto que sempre me intrigou, este é sem dúvida um deles. É uma mistura de muitas subjectividades que não é o dia-a-dia no Black Metal. Relembrando a infinidade do Universo, passando por uma dimensão não longe da nossa, mas desconhecida para a maior parte, Darkspace falam sobre o espaço, não de tempo, nem de lugar, mas de existência que por acréscimo faz referencia a muitas outras coisas.
Conheci Darkspace quando reparei no disco, totalmente preto, quer o layout, quer a parte de rodagem, são totalmente pretas, ou neste caso, e uma vez que o preto não é uma cor mas sim a ausência dela, o disco por ele já é um grande buraco negro.
Musicalmente falando, tem obrigatoriamente aquele fio que liga tudo aquilo que referi a cima, ao Black Metal, como é óbvio. Não agressivo e longe de ser um lançamento épico, eles bem que por lá andam... Darkspace não é de raíz um exemplo de Black Metal, é apenas levado a certas estruturas do mesmo, misturado com algo que lhe chamam ''Dark Metal''... Limpo as minhas mãos de qualquer subjugação. Longe de mim catalogar banda a banda, na sua mais íntima performance, pois isso a mim pouco me diz, mas e uma vez que tenho de ter a lista de forma organizada pelos géneros mais próximos dos apresentados, Darkspace ficará como Ambient Black Metal. Apesar de todo esse género estar sempre presente a um lado mais natural da existência, mais ''terrestre'' diga-se, não há propriamente um género para uma ou outra banda que falem sobre o espaço de forma literal e musical, daí que fica mesmo assim. Faz justiça ao som, lá isso faz.
Darkspace é um projecto Suíço, simples e sempre curioso, com uma linhagem autónoma nas guitarras e uma bateria acelerada. Contam com um sintetizador que vai criando um teclar atmosférico, quase mágico por entre toda a escuridão. Existem alguns momentos que nos levam a pensar que numa hora e dezasseis minutos, de sete faixas disponíveis, alguma será de extrema qualidade... Mas essa ''faixa desejada'' é apenas dividida por entre todas... De forma simples, não existe uma faixa melhor que a outra, pois todas representam o mesmo som, mudando alguns efeitos sonoros, como por exemplo, o brilhante final da quinta faixa, com um efeito sonoro digno de um filme. Falando em filmes, passagem também pelo filme ''A Space Odyssey'' onde foi retirado o dialogo para a primeira faixa. Mas voltando às atmosferas espaciais, de facto ''Dark Space I'' vai mostrando ao longo de álbum, certos picos de excelente qualidade, mas que não se repetem e muito menos perduram.
Ao terminar este trabalho, percebe-se de o porquê de as coisas terem sido feitas assim, e tudo na tentativa de evitar mais um lançamento com vertente sinfónica ou industrial. Pois são estes dois últimos elementos que dão uma chave diferencial aos temas, do inicio ao fim.
Este primeiro lançamento como álbum por inteiro do projecto, não é o melhor que eles já fizeram, mas é digno de registo no Black Metal, digno também de se acompanhar a banda em futuros lançamentos, como aqui farei, colocando os dois lançamentos a mais que neste momento existem.
All the Cold (Rússia) & Mordheim (França) - Possessed by Madness [2008]


Split, Cassete Limitada a 150 Exemplares!
All the Cold e Mordheim juntam-se para criarem o primeiro Split de ambos os projectos, o extremamente limitado ''Possessed by Madness''.
Este Split é basicamente composto por temas dos All the Cold, visto que das 7 faixas, apenas duas pertencem aos Franceses Mordheim.
Lançado no final do ano de 2008, ''Possessed by Madness'' é uma boa mistura... Mistura os primórdios dos All the Cold, que apesar de ainda não terem anos e anos no activo, dá para ver pela quantidade de lançamentos que a banda não tem andado se não para a frente. Criando um som já muito próprio da Rússia, com algumas modificações..! Pela parte de Mordheim, tal como a nacionalidade indica, Black Metal Underground Francês.
Apesar da diferença atmosférica, ambas as bandas se aproximam muito da mesma mensagem... Desolação, Desespero, e Tristeza, são as três grandes faces deste lançamento. Com a incrível passagem gelada dos All the Cold, com temas longincuos e obscuros, envolvidos numa tremenda loucura de solidão. Escapa-me agora, talvez o melhor tema presente; ''I am Dead'', correspondente à quarta faixa, por entre uma introdução e finalização já bem habitual por projectos também relacionados com o ambiental e a influencia electrónico-experimental! Os Russos nestes temas dão uma larga importância à guitarra e música de fundo, fundindo assim um ambiente muito afastado da realidade... Sem dúvida são eles que dão sentido à 'Madness'. All the Cold consegue um som que sem dúvida completa todos e quaisquer requisitos para que este seja um bom trabalho... No entanto, a qualidade por si, isto é, a nível de áudio, poderia ser um pouco melhor... Visto que a diferença de som entre as bandas ainda é 'bastante' notável...
Na minha opinião, são os Mordheim que acabam por levar a melhor, embora numa vertente um pouco diferente... Ambas as bandas conseguem uma sonoridade 'quase' depressiva, digo quase, porque não sinto o 'desespero' na sua fase mais pura, mas se chegam a tentar forçar esse degrau? Acho que sim, um pouco por aí...
Apesar de Mordheim só contar com duas faixas, são dois temas que musicalmente têm uma compostura mais 'adulta', mais completa e até com uma qualidade de som superior! Tanto All the Cold como Mordheim tentam uma abordagem melódica de vez enquanto, mas são também os franceses que a atingem na perfeição, e conseguem não abusar da dose, distribuindo-a de forma a encaixar nos momentos mais apropriados. Curiosamente a segunda faixa de Mordheim, e também a última do Split, chama-se ''All the Cold'', e tem uma introdução simplesmente magnifica... Faço desta, não só a minha faixa favorita de Mordheim, mas como de todo o Split.
Artcover muito simples, e lançamento muito limitado... Uma excelente passagem de Black Metal Europeu, que não deve ser deixada de lado...